sábado, novembro 19, 2011

Não é futebol, é política...

Como eu disse há poucos textos atrás que tinha que parar de falar de futebol, o tema é Copa do Mundo, mas a abordagem não é futebolística, ok? Acho que falando de política eu crio menos problemas com meus leitores – e são tantos...
Ouvi no rádio há pouco tempo e teria que pesquisar melhor para confirmar as informações, mas parece que a FIFA, como retaliação a algumas atitudes da presidente Dilma Roussef, tirou Porto Alegre da Copa das Confederações.
Para quem não sabe, no ano anterior ao da Copa do Mundo existe uma competição chamada Copa das Confederações, menor, claro, que acontece no mesmo país que sediará a Copa do ano seguinte.
A justificativa da FIFA para tirar o Beira-Rio (estádio do Internacional de Porto Alegre) da lista daqueles que sediarão jogos da Copa das Confederações e consequentemente tirar da cidade oportunidades de arrecadação e etc foi de que as obras estão atrasadas.

Pergunto: qual o estádio que está com as obras em dia? Maracanã? Mineirão?

Resposta fácil: o Itaquerão. Não conhece? É aquele estádio que vai ser construído com o dinheiro do contribuinte – o seu e o meu, inclusive, em algum momento – mas que depois da Copa vai ser do Corinthians. Isso mesmo, dinheiro público para atender a um clube.
E é aquele Corinthians cujo presidente é amigo pessoal do LULA e está praticamente garantido na presidência da CBF quando o safado do Ricardo Teixeira assumir a presidência da FIFA, com as bênçãos do sogro e do próprio Blatter.
E nada melhor para alavancar a campanha do que o sucesso de um Campeonato Brasileiro conquistado na sua gestão – quando falo da entrega do campeonato, é por isso – e um super estádio que o time com a maior torcida do estado e uma das maiores do país nunca teve.
Só para lembrar, o São Paulo queria reformar o Morumbi – COM DINHEIRO DO CLUBE – para este ser o estádio dos jogos da copa na terra da garoa, mas a CBF vetou. Achou melhor construir um estádio novo, com dinheiro da população.
Quando o Rogério Ceni foi a público falar que a escolha da CBF era porque na reforma do Morumbi não daria para desviar verba e pagar propinas, ninguém deu importância. Mas ele falou e talvez você nem tenha visto essa matéria nos jornais ou TV, certo?
E, numa COINCIDÊNCIA incrível, no meio deste jogo político, o Sr. Ricardo Teixeira “desdisse” a posição oficial da entidade máxima do futebol brasileiro, voltou atrás na questão do título de 1987 e mandou (sem ter autoridade para isso, claro, tanto que não se cumpriu) entregar a taça de bolinhas ao FRAmengo.
E antes que pareça pura implicância, você que é FRAmenguista saiba que ao comemorar o título que vocês não têm vocês estão, na verdade, apoiando abertamente a perpetuação dessa safadeza que existe no futebol brasileiro, coisa do naipe do Eurico Miranda pra baixo, com virada de mesa e etc. Ou seja, a Patrícia Amorim, que eu pensei que viria com a intenção de ajudar a moralizar aquela palhaçada que é o futebol carioca, chegou chutando a ética para o lado e fazendo politicagem apoiada por uma massa enorme – e disforme em termos de consciência e ideias. Uma pena.

Mas o que o Inter, Porto Alegre e a Dilma têm a ver com isso?
Acontece que no Rio Grande do Sul está a base de apoio e votos da presidente Dilma – ela é gaúcha – e deixar que tirem um evento como esse de lá pesa contra ela.
E na época que o presidente da República era o amigo do André Sanchez, FIFA e CBF negociaram na base da palavra (e certamente de malas e cuecas cheias de dólares), algumas “concessões” com o governo para o período e cidades da Copa. Concessões absurdas que representam retrocessos e podem fazer da Copa um verdadeiro desastre, mas que a FIFA não abre mão. A Dilma resolveu peitar – começou a não cumprir os tais acordos que o ex-presidente corintiano fez e, em represália ao seu lampejo de consciência e civilidade, a FIFA, orientada de perto pelo seu futuro presidente, simplesmente puniu a presidente prejudicando o estado onde ela tem a base eleitoral.

Acha que estou viajando? Acha que é teoria da conspiração demais? Eu não acho.

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