Falei há poucos dias sobre arbitragem no futebol carioca e o Cláudio, torcedor daquele time, disse que meu texto foi tendencioso.
Pois bem, vou só tecer alguns comentários a respeito de notícias e jogos que vi hoje tentando ser imparcial.
O Ipatinga ganhou de 3 x 1 do Cruzeiro em Minas, garantiu vaga na final do campeonato mineiro, mas o presidente do clube ameaça não jogar as finais. O motivo? Revolta contra a arbitragem que teria prejudicado o time hoje. Isso mesmo. O time que venceu o jogo está revoltado.
Rogério Ceni, do São Paulo, reclamou do primeiro gol do Santos, alegando que o Neymar teria tocado a bola com a mão. Tenho dúvidas, e também acho que o Neymar foi empurrado no mesmo lance. Da mesma forma no segundo gol do Santos, o pênalti é discutível, mas num lance imediatamente anterior não era discutível e o juiz não marcou.
O Rogério, sempre muito sensato nas suas colocações, fez um comentário sobre a arbitragem que demonstra, no mínimo, pouco caso das pessoas que controlam esta parte do futebol no país. Segundo ele, o árbitro escolhido esteve suspenso há pouco tempo por conta de alguns erros cometidos justamente contra o Santos e a federação tinha outros nomes (e bons nomes) à disposição. Elegante, o goleiro e capitão do tricolor paulista disse que o juiz que entra nestas condições sente uma pressão muito grande. E encerrou dizendo que, além de jogar bola, o São Paulo precisa fazer muito politicamente se quiser voltar a ser campeão paulista.
Na outra semifinal do mesmo campeonato, o Grêmio Prudente abriu o placar contra o Santo André num pênalti bem marcado pelo árbitro. Mas o goleiro era o último homem e fez um pênalti grosseiro no atacante Flavinho. Chance clara de gol, último homem, falta na área... Cartão vermelho, certo? Não para o Sr. Rodrigo Braghetto, árbitro da partida, que deu apenas o amarelo. Um cartão vermelho para o goleiro titular aos 16 minutos poderia ter mudado o resultado do jogo.
Mas para mim a melhor de todas as notícias começa assim: “Título não tira irritação de Herrera com a arbitragem”. O argentino, atacante do Botafogo, foi expulso injustamente de campo logo após cometer o pênalti que consagrou o goleiro Jeferson, do mesmo time. Injustamente porque ele tomou amarelo ao cometer a falta, não tinha amarelo ainda e o juiz simplesmente tirou o vermelho, por causa da reclamação dele. Se tivesse mostrado um segundo amarelo e depois o vermelho, poderíamos achar normal, mas não foi assim.
Mesmo se desse o segundo amarelo, demonstraria falta absoluta de critério, como demonstrou, pois as reclamações do outro time também foram acintosas nos pênaltis que ele assinalou (os dois bem marcados e convertidos) e ninguém levou cartão por isso. Mas o Maldonado acabara de ser expulso por ter puxado e quase rasgado a camisa do mesmo Herrera e ele precisava “compensar”. Marcar o pênalti – que, aliás, foi bem marcado, realmente aconteceu – não era suficiente, ele precisava acertar a questão numérica.
Aliás, se o árbitro fosse coerente em seus critérios, o Ronaldo Angelim teria sido expulso também, pois antes do pênalti fez uma falta na entrada da área, por trás, típico lance de cartão. Depois fez o pênalti e levou amarelo corretamente – seria o segundo.
Mas vou parar de falar daquele time para não ficar parecendo implicância.
O que me assusta realmente é ter dois times em estados diferentes reclamando da arbitragem após terem vencido seus jogos. Não é uma questão de choro do derrotado, de querer culpar o árbitro pela derrota.
O Herrera ficar indignado depois do título e o Ipatinga ameaçar não disputar a final por conta de perseguição da arbitragem são situações surreais, como têm sido as atuações dos juízes de futebol por aí afora.
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