Hoje na capa dos dois jornais da Rede Gazeta (ES) destaque para um mesmo assunto: empréstimo pessoal para compra de armas de fogo.
As manchetes davam conta de financeiras que fazem empréstimos pessoais direcionados à compra de armas de fogo com prazo de até 72 meses para pagar. Em A Gazeta, a capa estampa o título: “Um perigo à prestação”(sic).
Em primeiro lugar é importante recolher o diploma do curso de jornalismo e o cargo, armas de alto poder de destruição da língua portuguesa, que entregaram ao repórter, editor, revisor e quem mais tenha visto essa crase mal colocada numa capa de jornal sem corrigir a tempo. Isso também é crime.
Na matéria, informações sobre como comprar, registrar, regularizar e tudo o mais que alguém que tenha (boa ou má) intenção de adquirir uma arma precisa saber.
Achei muito interessante ler que entre os pré-requisitos para a compra estão consulta com psicólogo, autorização da polícia e curso de tiro de, pelo menos, seis horas enter outros. Nada disso tinha realmente chamado a minha atenção até ler, no depoimento de um coronel da Polícia Militar, que o policial só recebe sua arma depois de oito meses de treinamento.
Ou seja, se eu quiser comprar uma arma, faço seis horas de curso de tiro e pronto. Um policial demora oito meses para ter uma – e a gente vê diariamente quão pouco tempo são estes oito meses!
Na verdade, o que me motivou mesmo a escrever sobre o assunto nem foi a matéria em si, mas tanta surpresa, indignação e alarde sobre o tema por parte dos veículos.
Ora, o porte de armas é permitido por lei no Brasil, bem como a agiotagem (ou tem outro nome para o que bancos e financeiras fazem?). Então, emprestar dinheiro para alguém comprar armas é normal e lícito. Proibir isso seria, sim, inconstitucional.
Como disse uma das entrevistadas, “fazemos o financiamento para armas como fazemos para (...) computadores, por exemplo”.
Será que isso é um aviso para nos preocuparmos mais com crimes digitais?
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