Não adianta. Eu não gosto de auto-ajuda e nem de palestra motivacional.
Pois é. Eu também não sei qual a diferença entre uma e outra. Quer dizer, uma palestra motivacional é uma palestra de auto-ajuda.
Aliás, o que realmente é auto-ajuda? Para mim soa como estes ritmos musicais para os quais se inventa um nome novo a cada dia. Neste quesito, destaque para o Sertanejo Universitário - já ouviu falar?
Universitário? Como assim? Para tocar determinado ritmo tem que ter diploma? Coitado do Cartola.
Universitário pra mim era marca de algo muito melhor do que a música que esse povo acha que faz, mas este é um comentário que entrega a minha idade e alguns hábitos não muito lícitos do meu passado - se você entendeu, também entregou os seus.
Descobri que existe uma dupla de Sertanejo Universitário - eu tremo quando ouço o termo, vocês não imaginam como é difícil escrever - chamada João Bosco e Vinícius. Outro dia vi um outdoor divulgando o show da dupla e comecei a rir. Pensei: "não seria João Bosco e Chico Xavier?", mas eu estava enganado.
O João Bosco não é aquele que tem um dialeto próprio para cantar e muito menos o Vinícius é o poetinha. Melhor pros médiuns. Pior pra música.
Voltando ao assunto, eu trabalho com vendas, então encontro auto-ajuda onde quer que eu vá. E é preciso muito auto-controle para aguentar isso.
Ontem assisti uma palestra motivacional (ou de auto-ajuda?) e saí inspiradíssimo. Inspiradíssimo para escrever aqui no blog sobre como eu odeio auto-ajuda.
E sabe o que mais me incomoda nesse mercado da auto-ajuda motivacional? A quantidade de enganadores cobrando cachês, colocando dinheiro no bolso e virando celebridades porque são contratados por grandes empresas para repetir piadinhas que circulam na internet há séculos, citar frases de efeito e vender seus próprios livros.
Aliás, livro de auto-ajuda é outra coisa impressionante. Pesquisei o nome de um autor desses no submarino e encontrei 42 opções de compra. Do Raduan Nassar, tem 4. Do Chico Buarque, tem 5. Desculpem-me, não vou citar o autor a que me refiro, mas ninguém vai me convencer que ele tem assunto para 30 livros diferentes (se considerar que algumas das opções de compra são reedições ou pacotes com mais de um título) - duvido que tenha para UM. Aí consegui entender: o cara tem uma editora!
Nessas horas a tecnologia me irrita. É culpa da tecnologia, claro. Quanto mais avançada, mais barata a produção e mais fácil um mané criar uma editora e editar mais de trinta livros falando a mesma coisa que todo mundo já sabe.
Cara, o GreenPeace devia deixar os caçadores de baleias de lado e atacar este sujeito. É muita árvore derrubada por nada!
Tem outra coisa que me intriga. Algumas vezes o "palestrante" não sabe o que é concordância verbal ou nominal básica. Começo a achar até que isso é proposital, pois acontece com muitos deles.
Ou seja, o sujeito é pago para fazer uma palestra mas não sabe falar, é autor de vários livros sem saber bem o português, e algumas pessoas acham que eu é que sou muito exigente.
Para piorar a situação, as pessoas confundem motivação com animação. E os auto-intitulados palestrantes acham que são comediantes e que isso basta.
Também não vou dizer aqui o nome do palestrante de ontem, mas o cara chegou mal arrumado, com um cabelo esquisito, chamando a atenção (negativamente) pela apresentação. Colocou um videoclipe de uma cantora internacional no telão, obviamente sem pagar direitos autorais.
A propósito, taí outra coisa que estes profissionais (qual seria o outro nome pra isso?) ignoram: autoria. É um tal de citar frases sem dizer o autor, exibir filmes, comerciais, tocar músicas e nem dizer de onde vieram.
E fazem pior, às vezes, pois citam frases sem autor e tomam para si a autoria das mesmas. Isso para mim é crime.
E com este não foi diferente. Duvido que ele tenha autorização por escrito para usar as músicas que usa, mostrar fotos de quem ele mostra e coisas assim.
Mas um importante player do mercado inclui no budget do projeto uma boa verba para contratar este coach para alavancar as vendas e garantir que as equipes performem bem logo no start do produto.
6 comentários:
Nossa!
Adorei esse texto, concordo com tudo. Não suporto auto ajuda, palestra motivacional, coaching e tudo o que se parece com isso.
Você escreve muito bem! Parabens!
kkkkkkkkkkkkkkk, pior que eu, que odeio tb tudo isso, ainda por cima comprei o tal livro... ledo engano!!! arghhhhh!!! igualzinho a todos os milhões de outros....
Fica tranquilo que não vou entregar, mas eu tb achei o cabelo muito do esquisito...e aquele papo todo sobre, bem, você sabe... Que nojo!
Eu não gostava de auto ajuda. Agora simplesmente me sinto na obrigação de combater essa moléstia social. Beijos, Neide.
Ontem fui a uma palestra dessas. Ops! Me enganei. Na verdade, era um culto de ação de graças de uma formatura. Definitivamente, eu não posso ter uma arma.
Olá, saudações! Em.princípio venho lhe parabenizar pelo texto. Sou amante da escrita e valorizo quem cuida e preservação essa arte, por hora desprezada por muitos. Ademais tambem não gosto de palestras e livros que discorrem sobre motivacao, por achar uma colossal falta de produção intelectual, e que em nada contribuem para o conhecimento. Deixo a você o meu apreço e o meu abraço.
Olá, saudações! Em princípio venho lhe parabenizar pelo texto. Sou amante da escrita e valorizo quem cuida e preserva essa arte, por hora desprezada por muitos. Ademais tambem não gosto de palestras e livros que discorrem sobre motivacao ou autoajuda, por achar uma colossal falta de produção intelectual, e que em nada contribuem para o conhecimento e desenvolvimento humanistico Deixo a você o meu apreço e o meu abraço. Queria caminhar mais alguns quilômetros sobre este comentário, (risos), mas o pop star aqui é você. Até qualquer dia amigo.
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